É uma das perguntas que mais nos chegam: «já experimentei de tudo e não aceita a taça», «vira-a», «mete-se lá dentro». E é normal ter dúvidas, porque muitas gaiolas já vêm com o seu bebedouro de bola.

Antes de mais: o teu coelho tem de ter sempre água limpa, seja numa taça ou num bebedouro[3]. A partir daí, contamos-te o que dizem os estudos e como fazer a mudança sem que deixe de beber.

O que dizem os estudos

Uma equipa da Universidade de Zurique estudou como bebem os coelhos. Quando podiam escolher entre uma taça e um bebedouro de bola, os 12 coelhos do estudo preferiram a taça, embora estivessem todos habituados ao bebedouro[1][7]. Da taça bebiam cerca de 86 g de água por dia e, do bebedouro, cerca de 5 g[1].

Noutro ensaio, com água à vontade todo o dia, beberam mais ou menos o mesmo da taça e do bebedouro, mas as fezes saíram um pouco mais secas com o bebedouro. E quando só tinham água 6 ou 12 horas por dia, beberam mais da taça do que do bebedouro[2][7]. Os investigadores recomendaram uma taça sempre cheia, juntamente com uma dieta com muito feno e legumes frescos[2][7].

As associações de bem-estar animal dizem o mesmo:

  • Beber às lambidelas de uma taça é mais natural para um coelho do que chupar de uma bola[3].
  • Muitos coelhos preferem a taça e custa-lhes menos beber dela[4].
  • O bico do bebedouro pode entupir e, no inverno, se vive fora de casa, congela mais depressa do que uma taça[3][5].

Vantagens e desvantagens de cada um

A taça

  • Bebe da forma que lhe é mais natural[3].
  • É fácil de limpar[2] e vês num instante quanta água resta.
  • Pode ser virada ou encher-se de feno e de sujidade se estiver mal colocada[2][3].

O bebedouro de bola

  • Não se entorna, e assim o chão e a cama ficam secos: é por isso que há veterinários que preferem a garrafa grande[2][6].
  • Custa-lhe mais beber (no estudo, bebiam umas 3 ou 4 vezes mais devagar) e o bico pode entupir[1][3][4]: confirma com frequência que a bola roda e que sai água[5].
  • É difícil de limpar bem por dentro[2] e, no verão, podem aparecer algas[5]: lava-o com frequência[3].

O que te recomendamos na ENEO

Uma taça de cerâmica, pesada e de base larga, como fonte principal de água. E o bebedouro de bola ao lado, como reserva, pelo menos enquanto se habitua: ter os dois ao mesmo tempo é boa ideia[3].

Como passar do bebedouro para a taça, passo a passo

  1. Põe os dois ao mesmo tempo. Não lhe tires o bebedouro de repente: deixa a taça ao lado uns dias, até veres que bebe dela.
  2. Escolhe uma taça que não vire. Se a vira ou a empurra, procura uma mais pesada ou de base mais larga. Também há taças que se prendem à grade.
  3. Se se mete lá dentro, experimenta uma mais pequena e baixa, que dê para beber mas não para meter as patas.
  4. Coloca-a bem. Longe da caixa de areia e um pouco afastada do feno, para não se encher de sujidade, e perto de onde passa mais tempo, para a encontrar. Se tiver uma zona um pouco mais alta, melhor aí: no estudo, a taça colocada no alto quase não se sujava nem se entornava[2].
  5. Água limpa todos os dias. Muda-a mesmo que ainda haja, e lava a taça com frequência[3][4].
  6. No inverno, se vive fora de casa, verifica a água pelo menos duas vezes por dia, para garantir que não congelou[5].
  7. Confirma que bebe. Vê o nível da água nos primeiros dias. Se notares que não bebe, que come menos ou que faz menos bolinhas, liga ao veterinário de exóticos dele[5].

Quando vires que bebe da taça com normalidade, já podes retirar o bebedouro. E se preferires deixá-lo como reserva, também serve: o importante é que nunca lhe falte água.

E o feno, sempre ao lado

A água e o feno andam juntos: um coelho que come muito feno precisa de ter água à mão todo o dia[3]. Por isso recomendamos-te pôr a taça perto do cantinho do feno, mas sem que lhe caiam palhinhas dentro.

Um abraço da família ENEO 🐰

Fontes

  1. Universidade de Zurique: Tschudin A, Clauss M, Codron D, Hatt J-M (2011), Preference of rabbits for drinking from open dishes versus nipple drinkers, Veterinary Record 168(7), p. 190: os 12 coelhos preferiram a taça embora viessem do bebedouro (cerca de 86 g de água por dia da taça e 5 g do bebedouro), e do bebedouro bebiam umas 3 ou 4 vezes mais devagar.
  2. Universidade de Zurique: Tschudin A, Clauss M, Codron D, Liesegang A, Hatt J-M (2011), Water intake in domestic rabbits (Oryctolagus cuniculus) from open dishes and nipple drinkers under different water and feeding regimes, Journal of Animal Physiology and Animal Nutrition 95(4), pp. 499-511: com água à vontade, beberam mais ou menos o mesmo dos dois, mas com o bebedouro as fezes saíram um pouco mais secas; com água só 6 ou 12 horas por dia, beberam mais da taça; a taça é fácil de limpar e o bebedouro não se entorna, mas custa limpá-lo por dentro; colocada no alto, a taça quase não se sujava; recomendam a taça, com muito feno e legumes frescos.
  3. Rabbit Welfare Association & Fund (RWAF, associação britânica de bem-estar do coelho), The importance of water: água limpa sempre; beber de uma taça é mais natural; o bico entope e congela no inverno; a taça pode ser virada, por isso o melhor é ter taça e bebedouro; mudar a água todos os dias e lavá-los com frequência; quem come muito feno bebe mais.
  4. PDSA (organização veterinária do Reino Unido), Feeding your rabbits: água limpa mudada todos os dias; muitos coelhos preferem a taça e custa-lhes menos beber dela.
  5. RSPCA (sociedade protetora dos animais do Reino Unido), Rabbit winter care: no inverno, verificar a água pelo menos duas vezes por dia e confirmar que a bola do bebedouro roda e que sai água; a taça congela menos do que a garrafa; no verão podem aparecer algas na garrafa; se come menos ou faz menos bolinhas, ao veterinário.
  6. Vets4Pets (rede de clínicas veterinárias do Reino Unido), Bringing your rabbit home: a garrafa grande não se entorna e por isso é a opção que eles preferem.
  7. Universidade de Zurique (4-mar-2011), Kaninchen & Co.: Auf die Tränke kommt es an, comunicado de imprensa em alemão: resume os dois estudos e a sua recomendação (uma taça sempre cheia, com muito feno e legumes frescos).

O que não tem número é a nossa experiência e a nossa recomendação na ENEO.

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